... Com o tempo tudo passou a ser engraçado...
Eu adorava chegar lá e pegar ele fazendo o meu café, com um cigarro no canto da boca, a camisa solta e desabotuada, tirando as marcar do dia difícil. Depois de horas de conversa, meio maço de cigarro e um bule de café, ele tomava um banho enquanto eu fingia que assistia tv e ficava observando cada detalha das suas coisas. Sua mania de espalhar as roupas a semana inteira e arrumar tudo no domingo. O seu cinzeiro com tampo. As suas relíquias, que a mim também eram muito queridas. As suas poltronas estilosas. A sua mesa redonda, como a dos meus sonhos. A sua coleção de CD's de bandas desconhecidas. As suas samambaias que traziam o jardim. Seus baldes no banheiro. O seu cheiro no travesseiro. O controle remoto sempre perdido...
Quando ele entrava no quarto, suas costas sempre molhadas. Seu sorrizo sempre escancarado. Sua respiração sempre ofegante. Seu cigarro sempre aceso. Seus olhinhos sempre brilhando, como se tentasse esconder um mistério... e eu, sempre tentando desvendar aquele mistério velado...

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