terça-feira, abril 05, 2005

Desperta-dor

O telefone toca:
Eu- Alô.
J.- Alô, 'doutora'?!
(Sorriso nos lábios...)
Eu- Achei que você não fosse me ligar.
J.- Eu cumpro as minhas promessas. Tá tudo em pé?
Eu- Claro. Quando e aonde?
J.- Tô com a tarde livre. Qual é o melhor horário prá você?
Eu- Ás três.
J.- No lugar de sempre?
Eu- No lugar de sempre!
(...)

Ouvi dizer que a dor que sentimos ao nascer é tão grande, que o melhor que fazemos é esquecê-la. Hoje, um pouco antes das três, re-experimentei tal dor. Numa escala de 0 á 10, a minha anciedade estava 100. Ao vê-lo, morri um pouco. Tenho certeza que a presença dele faz meu coração bater mais acelerado que o de um cachorro.
Para minha surpresa, paramos em frente à uma praça. Entramos numa sorveteria. Sentamos. Bebemos água, (precisava repôr todos os sais e minerais que perdi, desde o telefonema). Conversamos por horas. Ele me contou as novidades ao seu modo. Eu contei as minhas ao meu. Nos olhamos sem nos tocar. Nos olhamos sem pronunciar palavra. Nos olhamos como quem nunca se viu. Reparei na cicatriz no topo do seu nariz. Seus olhos eram os mesmos de 10 anos atrás. Relembramos o início de tudo.
Em silêncio levantamos. Na porta da sorveteria, sob uma chuva torrencial, nos beijamos. Beijo longo, calmo, firme, cheio de cadências, de carências. Sabia que tudo aquilo, á nossa forma, era AMOR. No fundo, ele foi meu desperta-dor. Apareceu quando eu pude percebê-lo. Aceitou aquilo que pude oferecer. Ofereceu tudo o que eu poderia viver... Vivemos.
Meu maior medo, sempre foi esquecer o seu rosto. Passava dias tentando lembrar dos seus detalhes: da sua boca pequena, da péle morena, dos olhos cor de mel. Sei que não posso dizer nunca mais, mas também sei que tudo isso é para sempre, a diferença é que hoje ele também soube...

2 comentários:

Anônimo disse...

Ai, caracas... :-S

Anônimo disse...

Desperta-dor??? Achei ÓTEMO esse título.... Bruxinha, vê se sonha com alguma coisa boa pra mim, tá?!?!