quinta-feira, março 03, 2005

Lá no interior...

Nasci no interior e morei lá por uma semana apenas. Cresci na Capital, mas sempre passei as minhas férias no interior. Lá mora toda a minha família. Lá aprendi andar de bicicleta, dirigir carros e também aprendi o que é amar. Durante a minha adolescência os conflitos começaram à surgir. A curiosidade alheia era tão invasiva, que me sentia sufocada. Também implicava com o jeito que eles falavam, parecia que todas as palavras do mundo tinham 'R', que se transformava em 'RRRR...'.

Com o tempo percebi que nada daquilo era implicãncia minha, mas sim um fato: vivíamos diferenças culturais brutais. Por exemplo, aqui quando encontramos um conhecido num restaurante, tentamos ser o mais discreto possível, lá ocorre o contrário. Aqui quando contamos uma história, tentamos ser o mais breves possível, lá eles privilegiam os mínimos detalhes.

Há poucos anos atrás, tive a oportunidade de morar por lá. No começo achei que estava sendo muito chata, diante daquela pequena cidade tão acolhedora. Reclamava do trânsito desnecessário, das conversas na padaria com estranhos completos, do domínio público sobre a minha vida, enfim, achei tudo uma chatice, inclusive o fato de sempre reconhecer alguém nas ruas.

Criei o hábito de todo sábado à tarde me reunir na casa de uma amiga. Era basicamente o 'clube da luluzinha'. Conversávamos sobre TUDO, mas principalmente sobre homens.

A minha volta à capital era praticamente uma questão de vida ou morte. Sim, pois eu estava morrendo. Sentia falta dos meus amigos, das baladas, de fazer supermercado à 1/2 noite, de encontrar gente nova, do barulho do trânsito, das várias opções no cinema, das conversas sem sentido, de não precisar me arrumar para ir ao shopping, bhla, bhla, bhla...

Quando cheguei à capital, percebi que continuava triste e insatisfeita. Esse estado demorou à passar, e foi preciso tudo isso acontecer, para que eu me desse conta de que EU estava infeliz. Seria infeliz enquanto não mudasse algumas das minhas condutas.

Mudar de cidade, retornar ao meu lugar, foi o que fez eu enxergar, me enxergar e perceber que não passo de uma menina do interio...

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